top of page

Antes da crise: onde nascem os riscos para a reputação de uma empresa

  • Foto do escritor: Damaris Lago
    Damaris Lago
  • 18 de ago.
  • 11 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Quando uma empresa aparece no noticiário envolvida em uma crise, é comum ouvir uma explicação quase automática: houve uma crise de comunicação. A expressão é conveniente porque desloca rapidamente o problema para o território das mensagens, das entrevistas, das notas oficiais e da atuação dos porta-vozes. Mas, em muitos casos, quando a comunicação se torna crítica, a crise já começou.


Uma falha de produto, uma decisão controversa, uma conduta inadequada de uma liderança, um acidente, uma relação problemática com funcionários, uma denúncia, uma vulnerabilidade operacional ou uma prática empresarial incompatível com aquilo que a organização declara publicamente podem existir muito antes de qualquer jornalista fazer a primeira pergunta.


A imprensa, nesses casos, não cria necessariamente a crise. Muitas vezes, ela torna pública uma vulnerabilidade que já existia.


Essa distinção é importante porque modifica a maneira como empresas deveriam se preparar para situações de alta exposição. Se toda crise for interpretada essencialmente como um problema de comunicação, a reação natural será procurar uma solução comunicacional. Mas nenhuma mensagem, por mais bem construída que seja, consegue resolver sozinha um problema cuja origem está nas decisões ou no comportamento da própria organização.


É por isso que gestão de crise deveria começar antes da crise — e antes da comunicação.


Uma crise de reputação não é necessariamente uma crise de comunicação


Comunicação e reputação estão profundamente relacionadas, mas não são a mesma coisa.


Uma organização pode enfrentar uma crise provocada por uma falha operacional e agravá-la por meio de uma comunicação ruim. Pode também enfrentar um problema relativamente administrável e transformá-lo em uma crise reputacional maior ao negar evidências, minimizar impactos ou oferecer informações contraditórias. Em outras situações, a comunicação pode ser adequada, mas o problema original ser suficientemente grave para produzir danos reputacionais mesmo assim.


Separar essas dimensões é fundamental.


A comunicação interfere na maneira como uma organização explica o que aconteceu, reconhece responsabilidades, apresenta providências e se relaciona com públicos afetados.


Mas a comunicação não altera retroativamente os fatos que deram origem à situação.


Essa distinção encontra respaldo na literatura acadêmica sobre comunicação de crise. A Situational Crisis Communication Theory (SCCT), desenvolvida pelo pesquisador W. Timothy Coombs, parte justamente da ideia de que crises diferentes produzem diferentes níveis de atribuição de responsabilidade à organização. Essa responsabilidade percebida interfere na ameaça à reputação e deve ser considerada na definição da estratégia de resposta.


Isso significa que não existe uma única fórmula de comunicação capaz de funcionar para todas as crises.


Antes da crise existe uma vulnerabilidade


Crises costumam ser percebidas quando se tornam visíveis. Para a organização, entretanto, o ponto mais relevante pode estar antes dessa visibilidade.


É útil distinguir vulnerabilidade, evento e crise.


Uma vulnerabilidade é uma condição capaz de gerar risco: um processo inadequado, uma fragilidade operacional, uma conduta recorrente, uma inconsistência entre discurso e prática, uma relação deteriorada com determinado público ou uma decisão que pode produzir consequências relevantes.


Um evento é aquilo que transforma ou expõe essa vulnerabilidade: um acidente, uma denúncia, uma investigação, uma reportagem, um vídeo, uma reclamação que ganha escala, uma decisão judicial ou outro acontecimento capaz de produzir atenção pública.


A crise emerge quando o acontecimento passa a ameaçar significativamente a operação, a confiança, a legitimidade ou a reputação da organização.


Essa sequência não acontece de maneira idêntica em todos os casos, nem toda vulnerabilidade se transforma em crise. Mas a distinção ajuda a compreender por que prevenção não pode começar quando a empresa já está sendo procurada pela imprensa.


Nesse momento, talvez o problema apenas tenha se tornado público.


O erro de chamar um problema empresarial de problema de imagem


Há uma expressão particularmente perigosa em situações críticas: “temos um problema de imagem”.


Às vezes, de fato, existe uma percepção pública distorcida ou baseada em informação incorreta. Mas outras vezes o problema de imagem corresponde razoavelmente ao problema real.


Se uma empresa é criticada por uma prática que efetivamente adota, a questão central não é corrigir a percepção. É avaliar a prática.


Essa diferença parece óbvia, mas desaparece com frequência quando organizações entram em modo defensivo. A pressão por preservar reputação pode produzir a tentativa de proteger rapidamente a narrativa da empresa antes mesmo de compreender adequadamente os fatos.


É nesse ponto que comunicação pode deixar de ser parte da solução e tornar-se parte da crise.


Uma organização que nega prematuramente uma informação posteriormente comprovada não enfrenta apenas o problema original. Passa a enfrentar também uma crise de credibilidade. O mesmo ocorre quando executivos apresentam versões diferentes, quando uma nota oficial contradiz fatos conhecidos ou quando a empresa tenta minimizar consequências que são evidentes para os públicos afetados.


Reputação não é protegida pela negação automática de problemas. Em determinadas situações, ela é protegida justamente pela capacidade de reconhecê-los com precisão.


A responsabilidade percebida muda a crise


Um dos elementos centrais da SCCT é a atribuição de responsabilidade. Em termos simplificados, quanto maior a responsabilidade que os públicos atribuem à organização pelo acontecimento, maior tende a ser a ameaça reputacional.


Coombs organiza situações de crise em grupos que envolvem diferentes níveis de responsabilidade atribuída. Há situações nas quais a organização é percebida predominantemente como vítima, outras associadas a acidentes ou acontecimentos não intencionais e situações nas quais existe forte atribuição de responsabilidade à própria organização.


Essa distinção importa porque respostas adequadas a um cenário podem ser inadequadas a outro.


Uma empresa injustamente acusada de algo possui razões legítimas para apresentar evidências e contestar a acusação. Uma organização responsável por uma falha grave enfrenta um problema diferente. Tentar utilizar a mesma postura defensiva nos dois casos pode aumentar o dano.


A literatura também aponta a importância do histórico. Uma organização que já enfrentou crises semelhantes ou possui reputação anterior desfavorável pode encontrar maior atribuição de responsabilidade diante de um novo acontecimento.


A crise, portanto, não começa em uma página em branco.


Ela encontra uma reputação que já estava sendo construída.


Reputação é uma reserva de confiança — mas não um salvo-conduto


É comum ouvir que empresas com boa reputação estão protegidas durante crises. A afirmação precisa de cuidado.


Uma reputação positiva anterior pode influenciar a maneira como determinados públicos interpretam uma situação e há literatura investigando possíveis efeitos de proteção reputacional. Mas reputação não funciona como uma espécie de crédito ilimitado capaz de neutralizar qualquer comportamento posterior.


Confiança acumulada pode oferecer contexto. Não elimina fatos.


Esse ponto é particularmente importante porque empresas podem confundir reputação com popularidade ou reconhecimento de marca. Uma organização conhecida não é necessariamente uma organização confiável, assim como uma empresa admirada em determinada dimensão pode ser fortemente criticada em outra.


A reputação também varia entre stakeholders. A mesma companhia pode possuir excelente avaliação entre investidores e uma relação deteriorada com funcionários ou comunidades. Por isso, falar em “a reputação da empresa” como se fosse uma medida única pode esconder diferenças relevantes.


Em uma crise, essas diferenças aparecem rapidamente.


Redes sociais aceleram crises, mas não explicam todas elas


É tentador atribuir a velocidade das crises contemporâneas às redes sociais. Há uma parte de verdade nisso. Plataformas digitais reduziram drasticamente o tempo entre um acontecimento e sua circulação pública, permitiram que indivíduos produzissem e distribuíssem evidências diretamente e ampliaram a capacidade de mobilização de diferentes grupos.


Mas dizer que “as redes sociais causaram a crise” pode produzir outra simplificação.


Uma plataforma pode acelerar a circulação de uma denúncia. Isso não significa que tenha criado o fato denunciado.


Pode amplificar uma reclamação de consumidor. Isso não significa que tenha criado a experiência que originou a reclamação.


Pode transformar rapidamente um vídeo em assunto nacional. Isso não significa que o comportamento registrado no vídeo não existiria sem a plataforma.


As redes alteraram profundamente a velocidade, escala e arquitetura da exposição. Em muitos casos, entretanto, continuam funcionando como mecanismos de visibilidade de problemas que nasceram em outro lugar.


Essa diferença é decisiva para prevenção. Monitorar redes sociais é importante, mas monitoramento não substitui diagnóstico organizacional.


A imprensa também não deveria ser tratada como inimiga da crise


Quando uma reportagem revela um problema relevante, organizações podem interpretar o jornalista como responsável pelo dano reputacional. Essa reação é compreensível do ponto de vista defensivo, mas analiticamente pode estar errada.


Se a informação é verdadeira e de interesse público, o problema central não é sua publicação.


É aquilo que foi publicado.


Isso não significa que toda cobertura jornalística seja correta, equilibrada ou imune a erros.


Empresas possuem o direito — e em determinados casos o dever — de contestar informações falsas, apresentar documentos, corrigir dados e defender sua posição.


Mas existe uma diferença entre contestar uma informação incorreta e atacar o mensageiro porque uma informação verdadeira é inconveniente.


Para um porta-voz, essa distinção é fundamental. Entrar em uma entrevista tratando o jornalista como adversário pode deslocar energia da questão que realmente precisa ser respondida e aumentar a percepção de defensividade.


Media Training não deveria preparar executivos para derrotar jornalistas. Deveria prepará-los para enfrentar perguntas legítimas — inclusive as perguntas que a organização preferiria não receber.


A pergunta que nenhuma empresa quer ouvir pode ser uma ferramenta de gestão


Uma das ferramentas mais úteis em um Media Training estratégico é relativamente simples: identificar antecipadamente as perguntas mais desconfortáveis que poderiam ser feitas à organização.


Não para criar respostas artificiais.


Para descobrir o que existe por trás delas.


Se a empresa teme uma pergunta porque não possui informação suficiente, existe uma lacuna de conhecimento. Se teme porque diferentes áreas oferecem respostas contraditórias, existe um problema de alinhamento. Se teme porque a resposta verdadeira entra em conflito com o discurso institucional, pode existir uma vulnerabilidade reputacional.


E se teme porque a resposta revelaria uma prática difícil de justificar publicamente, talvez o problema ultrapasse completamente o campo da comunicação.


É por isso que uma entrevista simulada pode funcionar como instrumento de diagnóstico.


Ao pressionar uma liderança com perguntas plausíveis, o treinamento não testa apenas capacidade verbal. Pode revelar informações ausentes, argumentos frágeis, inconsistências internas e assuntos que exigem decisões antes que qualquer entrevista real aconteça.


Nesse sentido, a pergunta difícil deixa de ser uma ameaça.


Torna-se informação.


Prevenção de crise começa com auditoria de vulnerabilidades


Se crises podem nascer antes da exposição pública, uma estratégia preventiva precisa olhar para dentro da organização.


Uma auditoria de vulnerabilidades reputacionais procura identificar situações capazes de produzir questionamentos relevantes antes que elas se transformem em acontecimentos críticos. Isso pode envolver temas operacionais, ambientais, trabalhistas, regulatórios, jurídicos, de governança, atendimento ao consumidor, segurança, comportamento de lideranças ou relações com comunidades, dependendo da natureza da organização.


A área de comunicação não possui competência técnica para avaliar sozinha todos esses riscos. E não deveria tentar.


Uma auditoria séria exige interlocução com diferentes áreas da empresa. Comunicação pode formular a pergunta reputacional — “como explicaríamos isso publicamente se fosse questionado amanhã?” — mas a resposta frequentemente depende de operações, jurídico, compliance, recursos humanos, sustentabilidade, segurança, tecnologia ou alta liderança.


É justamente aí que gestão de reputação deixa de ser uma atividade periférica de comunicação.


Ela passa a dialogar com gestão.


Nem toda crise pode ser evitada


Também é importante não transformar prevenção em promessa irreal.


Empresas operam em ambientes complexos. Acidentes acontecem, sistemas falham, eventos externos interferem nas operações e organizações podem ser afetadas por acontecimentos sobre os quais possuem pouco ou nenhum controle.


Gestão de crise não significa construir uma organização imune a crises.


Significa aumentar sua capacidade de identificar riscos, reduzir vulnerabilidades evitáveis, preparar processos de decisão e responder com maior qualidade quando um acontecimento crítico ocorrer.


Isso inclui algo elementar e frequentemente negligenciado: saber quem decide, quem possui as informações, quem precisa ser envolvido, quem pode falar e quais fatos já estão suficientemente verificados para serem comunicados.


Em uma crise real, improvisação custa tempo.


E tempo pode alterar a trajetória reputacional do acontecimento.


O silêncio também comunica — mas isso não significa responder antes de conhecer os fatos


Existe uma pressão contemporânea por respostas instantâneas. Quando um acontecimento começa a circular publicamente, minutos de silêncio podem ser interpretados como ausência, desorganização ou tentativa de esconder informações.


Mas velocidade e precipitação não são sinônimos de boa comunicação.


Responder antes de compreender os fatos pode criar um problema maior do que esperar o tempo necessário para verificá-los. Uma informação incorreta apresentada oficialmente pela organização passa a fazer parte da própria crise.


A alternativa não precisa ser escolher entre silêncio absoluto e resposta definitiva.


Em determinadas situações, uma comunicação inicial pode reconhecer que existe um acontecimento, informar que os fatos estão sendo apurados, demonstrar atenção aos públicos afetados e estabelecer quando novas informações serão apresentadas. O conteúdo específico dessa resposta, evidentemente, dependerá da natureza e da gravidade da situação.


O princípio é mais importante que a fórmula: uma empresa não precisa saber tudo para começar a comunicar, mas precisa saber o suficiente para não comunicar aquilo que ainda não pode sustentar.


O porta-voz entra no final de uma cadeia de decisões


Quando chega o momento de uma entrevista, é fácil concentrar toda a responsabilidade no executivo que estará diante da câmera. Mas a qualidade de sua resposta depende de uma cadeia de decisões anteriores.


Ele recebeu informações confiáveis? As áreas responsáveis concordam sobre os fatos? A organização compreendeu quem foi afetado? Existe uma decisão concreta sobre o que será feito? Há questões legais ainda não resolvidas? Existem informações que não podem ser divulgadas? A liderança conhece os limites do que sabe?


Se essas respostas não estiverem claras, nenhum treinamento de performance resolverá completamente o problema.


O porta-voz é a parte visível de um sistema.


Uma organização desorganizada internamente tende a transferir essa desorganização para sua comunicação externa. O executivo pode ser excelente, mas não consegue produzir coerência a partir de informações contraditórias indefinidamente.


É por isso que Media Training estratégico precisa dialogar com preparação organizacional para crises.


A melhor gestão de crise começa antes da manchete


Crises reputacionais podem assumir formas muito diferentes, e seria incorreto afirmar que todas começam dentro da organização. Empresas podem ser vítimas de crimes, desinformação, acontecimentos externos ou acusações falsas. Há situações em que a própria organização sofre os efeitos de um evento sobre o qual possuía pouca capacidade de prevenção.


Mas existe uma categoria importante de crises nas quais os sinais estavam presentes antes da exposição pública.


É sobre essas situações que organizações possuem maior capacidade de intervenção.

Identificar vulnerabilidades, confrontar contradições, preparar cenários, definir responsabilidades e submeter lideranças a perguntas difíceis não elimina crises. Mas aumenta a possibilidade de descobrir um problema enquanto ele ainda pode ser administrado como problema — e não depois que se transformou em manchete.


Talvez essa seja uma das mudanças mais importantes na compreensão contemporânea do Media Training.


Preparar um porta-voz não é apenas ensiná-lo a responder quando a crise chega.

É ajudar a organização a descobrir, antes da entrevista, o que talvez ela ainda não esteja preparada para responder.



Perguntas frequentes sobre crise de reputação


  • O que é uma crise de reputação?

Uma crise de reputação ocorre quando um acontecimento ameaça de maneira relevante a confiança, a credibilidade ou a legitimidade atribuída a uma organização por um ou mais de seus públicos. Ela pode decorrer de diferentes tipos de eventos e não significa necessariamente que a empresa tenha sido responsável por aquilo que aconteceu.


  • Qual é a diferença entre crise de comunicação e crise de reputação?

Uma falha de comunicação pode contribuir para uma crise reputacional, mas os conceitos não são equivalentes. Uma crise pode ter origem operacional, jurídica, ambiental, trabalhista, ética ou em outras dimensões da organização e posteriormente adquirir repercussão pública. A comunicação interfere na maneira como a empresa responde ao acontecimento, mas não substitui a solução do problema original.


  • As redes sociais causam crises de reputação?

Podem contribuir para sua amplificação e acelerar a circulação de informações, mas não são necessariamente a origem da crise. Muitas vezes tornam visível um problema que já existia.


  • É melhor responder imediatamente durante uma crise?

Rapidez é importante, mas informações incorretas podem agravar a situação. A organização precisa equilibrar velocidade e verificação dos fatos. Quando ainda não existe informação suficiente para uma resposta definitiva, pode ser apropriado reconhecer o acontecimento e informar que a situação está sendo apurada.


  • O que é uma auditoria de vulnerabilidades?

É um processo de identificação e análise de situações que podem gerar riscos para a reputação ou exposição pública da organização. Dependendo da empresa, pode envolver diferentes áreas e tipos de risco. O objetivo é identificar vulnerabilidades antes que se transformem em situações críticas.


  • Media Training pode prevenir uma crise?

Media Training não elimina crises. Uma abordagem estratégica, porém, pode contribuir para prevenção ao testar cenários, identificar perguntas difíceis, revelar lacunas de informação e preparar lideranças para situações de alta exposição.


Referências


Coombs, W. Timothy. Protecting Organization Reputations During a Crisis: The Development and Application of Situational Crisis Communication Theory. Corporate Reputation Review, 2007. Publicação de W. Timothy Coombs

Coombs, W. Timothy. Ongoing Crisis Communication: Planning, Managing, and Responding. SAGE Publications. Obra de referência para comunicação e gestão de crises.

Coombs, W. Timothy; Holladay, Sherry J. Trabalhos sobre reputação, responsabilidade atribuída e efeitos das estratégias de resposta a crises constituem parte da base empírica da Situational Crisis Communication Theory.



Sua organização sabe onde estão suas vulnerabilidades antes que elas se transformem em uma crise?

O Método ATDC de Media Training Estratégico integra preparação de porta-vozes, análise de vulnerabilidades, reputação e gestão de crises para preparar lideranças antes dos momentos de alta exposição.

 
 
 

Comentários


bottom of page